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Fiocruz e UFRJ avançam em inovação capaz de antecipar novos surtos infecciosos


11/01/2024

Walisson Araújo (Cidacs/Fiocruz Bahia)

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Todos os anos milhares de pessoas são impactadas por surtos de doenças infecciosas. Além disso, segundo documentos da Comissão Europeia, a pandemia de Covid-19 revelou que o atual sistema internacional de vigilância e alerta sobre doenças infecciosas não funciona com velocidade suficiente quando confrontado com um patógeno respiratório de rápida dispersão. Nesse contexto, autoridades e agências de saúde de diferentes países reconhecem que a detecção e resposta mais rápidas a epidemias e pandemias dependem de uma vigilância global robusta, baseada em dados comparáveis.  

 

Publicado (9/1) no Journal of Medical Internet Research (JMIR) Public Health and Surveillance, um estudo liderado pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), em colaboração com pesquisadores de outras unidades da Fiocruz, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Fundação Rockefeller, reconhece internacionalmente o modelo e implementação do sistema ÆSOP, que vem sendo desenvolvido para a vigilância epidemiológica e apoio na identificação e produção de alertas de forma antecipada referentes à ocorrência de possíveis surtos infecciosos, como é o caso da H1N1 e Covid-19.  

Pesquisador do estudo e vice-coordenador do Cidacs/Fiocruz Bahia, Pablo Ramos relata que o trabalho certifica as bases para a criação e implementação do sistema ÆSOP. “Nele apresentamos as principais diretrizes para a escolha das fontes de dados usados para vigilância, compondo o monitoramento dos atendimentos da atenção primária, da venda de medicamentos e das mídias sociais e notícias”, explicou. Para o pesquisador, a publicação “apresenta ao mundo a importância de um olhar inovador para a combinação de abordagens digitais e moleculares usando fontes de dados alternativas e de saúde em um sistema de vigilância de última geração, capaz de antecipar surtos com potencial pandêmico”.

No mais, um outro estudo recente publicado pela equipe científica do ÆSOP comprovou a capacidade do uso de dados da Atenção Primária à saúde (APS) para antecipar surtos de doenças respiratórias, utilizando os dados de atendimentos por queixas de síndromes gripais e respiratórias do estado da Bahia. Ao comparar alguns modelos “tradicionais” já existentes com o desenvolvimento do Sistema ÆSOP, o pesquisador apresentou algumas implementações exclusivas e sugestivas para os sistemas de vigilância da próxima geração, como “a importância da escolha apropriada de fontes de dados; a importância do compartilhamento de dados de forma ética e garantindo a privacidade individual; a importância de garantir sensibilidade para a detecção de eventos, posteriormente complementada com especificidade que pode ser alcançada via dados genômicos; a possibilidade de adaptação de sistemas como o ÆSOP para outros agravos de importância médica”. 

Para o pesquisador da Fiocruz, este sistema não deseja substituir sistemas atuais, mas integrar o contexto de dados já existente, para complementar e dar suporte apresentando uma visão da “construção de um sistema de vigilância de próxima geração”. Sobre os próximos passos do desenvolvimento do sistema ÆSOP, Pablo relata: “agora estamos trabalhando na consolidação do sistema, garantindo que os alertas possam ser dados ao Ministério da Saúde em breve. Em paralelo, como resultado do workshop anual do projeto que ocorreu no final do ano passado, estamos em conversas com o estado do Amazonas para executar um piloto local naquela região, o que permitirá colher feedback direto sobre a utilidade e necessidades de usuários”. 

O desenvolvimento do sistema, coordenado pelo pesquisador titular da Fiocruz Manoel Barral-Netto, tem sido realizado em colaboração com gestores públicos de saúde, da área de pesquisa e instituições parceiras, nutrindo o ÆSOP com olhares que excedem o âmbito da pesquisa e buscando implementar melhorias ao dashboard interativo e de fácil utilização para gestores de saúde. No contexto do Brasil, o sistema ÆSOP será utilizado pelo Ministério da Saúde (MS), com quem ficará a missão de utilização e emissão dos alertas para os gestores de saúde de vigilância municipais e dos estados.  

O projeto ÆSOP visa atender necessidades futuras de compartilhamento de dados para vigilância. Assim, contribui para um sistema federado de vigilância epidemiológica com as ferramentas necessárias e um ambiente aberto para cooperação, podendo inclusive dar suporte pela flexibilidade do modelo, de adaptar para contextos e auxiliar na identificação por doenças e associações específicas, como por exemplo a Dengue. 

ÆSOP 

O ÆSOP é um projeto que visa desenvolver um Sistema de Alerta Antecipado de Surtos com Potencial Pandêmico, chamado Alert-Early System of Outbreaks with Pandemic Potential. Para isso, são estabelecidas três bases importantes: inovação, otimização e antecipação. O ÆSOP utilizará dados digitais de saúde coletados de diferentes fontes para fornecer um sistema operacional às autoridades de saúde em nível nacional e local, antecipando respostas quando um possível surto de doença infecciosa for identificado. Inicialmente, o sistema será desenvolvido para monitorar síndromes respiratórias agudas e, posteriormente, será expandido para incluir a detecção de outras síndromes relevantes para a saúde pública e com potencial epidêmico.

Conheça mais sobre o projeto no site do ÆSOP

Cidacs/Fiocruz Bahia 

O Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde conduz estudos e pesquisas baseados em projetos interdisciplinares originados na vinculação de grandes volumes de dados para ampliar o entendimento dos determinantes e das políticas sociais e ambientais sobre a saúde da população. Por meio de tecnologias complexas, como alta capacidade computacional e soluções em Segurança da Informação, parcerias intelectuais internacionais.

O Centro já produziu conhecimento de impacto publicado em centenas de artigos. Também, participou do debate e construção de um artigo da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) voltado aos estudos em saúde pública, e tem a maior coorte do mundo: a Coorte de 100 Milhões Brasileiros, que vincula dados de programas sociais com outras bases de saúde para avaliações do impacto das políticas sociais sobre mortalidade infantil, suicídios, doenças cardiovasculares, doenças infecciosas, Atenção Primária à Saúde, segregação espacial, privação material, entre outros desfechos associados aos determinantes sociais em saúde. 

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