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Teses e dissertações


Termo de referência para transformação de originais oriundos de dissertações e teses

A qualidade acadêmica de uma dissertação ou tese atestada pela banca de avaliação não é credencial suficiente para transformá-la em um livro. A dissertação ou tese atende a determinadas exigências formais e está voltada para um público especializado. O livro acadêmico é dirigido a um público mais amplo, que inclui tanto o leitor especializado quanto o não especializado no tema. São dois veículos de difusão do conhecimento com características bem peculiares. 

Além disso, nem sempre o livro é a melhor forma de divulgação de uma dissertação ou tese. Artigos em periódicos científicos podem, dependendo do caso, ser os melhores veículos para divulgar resultados de pesquisa e obter mais impacto em termos de leitores e citações. A publicação em periódicos de reconhecida importância é um dos atestados da qualidade da pesquisa. Uma dissertação ou tese aprovada em um programa de pós-graduação muito provavelmente estará disponível em acesso livre no Portal de Teses da Capes e/ou na página web do respectivo programa. Desse modo, para efeito de difusão do conhecimento, as dissertações de mestrado e teses de doutorado já estão acessíveis ao grande público pouco tempo depois de sua aprovação. 

Uma boa dissertação ou tese não se transforma necessariamente em um bom livro. Bancas de avaliação, por vezes, recomendam a sua publicação nesse formato. Contudo, para uma editora essa indicação é apenas um elemento, entre outros, de sua própria avaliação. Na Editora Fiocruz, os originais oriundos de uma dissertação ou tese iniciam um novo, e diferente, processo de avaliação, que envolve triagem técnica, emissão de pareceres por consultores ad hoc e decisão final pelo conselho editorial. Esse processo não difere daquele a que são submetidos todos os originais apresentados à Editora. 

A relevância do tema para o campo no qual os originais estão inseridos, a originalidade, a qualidade e fluidez da escrita considerando um público mais amplo, da metodologia ou das fontes utilizadas são, em conjunto, elementos analisados quando se trata de avaliar o interesse para publicação. Outro aspecto importante diz respeito ao modo como o livro em avaliação (em particular no que concerne ao tema e à metodologia) se relaciona com o catálogo da Editora e com os títulos sobre o tema publicados por outras editoras. 

Adaptação ao formato livro

Um livro oriundo de uma tese não deve ser uma cópia fiel de seu conteúdo original. O formato do livro exige que o texto passe por alterações na sua estrutura e conteúdo. Em geral, no campo das humanidades as dissertações e teses são longas, e sua transformação em livro exigirá reduções. Estudos de áreas em que, ao contrário, o material apresentado às instâncias de avaliação é menos extenso demandarão complementação. Em ambos os casos, espera-se que um livro tenha um número de páginas compatível ao que é necessário comunicar. 
O texto deve ser reelaborado, de forma a aproximá-lo o máximo possível de seu novo público. Algumas partes ou seções podem ser reduzidas ou ampliadas.

Observações importantes

Devem ser suprimidas marcas consideradas típicas de dissertações e teses, mas dispensáveis em livros destinados a um público mais amplo, tais como:
1 - Título extenso. O título do livro deve expressar claramente o conteúdo do estudo, mas não precisa ser o mesmo da dissertação ou tese. Deve ser curto e, se possível, sem subtítulo. Sua adequação é considerada na avaliação dos originais.
2 - Os agradecimentos devem ser parcimoniosos e dirigidos àqueles que apoiaram efetivamente a pesquisa que gerou o livro e a confecção do volume. Não são necessariamente os mesmos agradecimentos da tese ou dissertação. 
3 - O capítulo teórico, que em geral situa a pesquisa no âmbito da literatura existente, deve ser escrito com linguagem objetiva para proporcionar uma leitura agradável e proveitosa. Em alguns casos, esse capítulo pode ser incorporado à introdução.
4 - Excesso de referências ao longo do texto, que interrompe o fluxo da leitura. Não é mais necessário “provar” que o autor (ex-pós-graduando) conhece a bibliografia sobre o assunto. O mais relevante é que a bibliografia citada dialogue com os argumentos efetivamente desenvolvidos no texto. Portanto, o desejável é que sejam mantidas apenas as referências realmente pertinentes, necessárias e utilizadas nesse citado diálogo.
5 - Notas em excesso e/ou longas, que também interrompem o fluxo da leitura, devem ser usadas parcimoniosamente.
6    - Citações em nota. 
7 - O procedimento de iniciar o capítulo sempre anunciando o que vai ser discutido e terminá-lo resumindo o que foi discutido. 
8 - Lista bibliográfica com títulos além dos efetivamente citados ou mencionados no texto (as chamadas referências bibliográficas). Na Editora Fiocruz, apenas os livros da Coleção História & Saúde incluem a lista de toda a bibliografia consultada pelo autor. 

Reestruturação

1 - O livro deve se iniciar com uma apresentação em que o autor informa sobre a origem do estudo, os referenciais teóricos por ele adotados e o modo como o volume está estruturado. 
2 - A clássica estrutura de estudos acadêmicos, assim como os correspondentes intertítulos do gênero – Introdução, Metodologia, Considerações Finais etc. – devem ser modificados. É recomendável que se adotem títulos e subtítulos sugestivos e ao mesmo tempo objetivos, curtos e diretos, preferencialmente sem adjetivos e artigos. 
3 - Atenção a remissões internas e a reiterações, muitas vezes recorrentes em textos apresentados a bancas.

Linguagem 

1 - A linguagem deve ser direta, clara e concisa. Isso não quer dizer que o estilo deva ser ‘engessado’ e deselegante, tampouco excessivamente coloquial. É possível escrever com elegância sendo simples e direto. A concisão faz desaparecer do texto os excessos linguísticos que nada lhe acrescentam.

2 - Termos técnicos específicos e jargões de determinada área devem ser brevemente explicados (à parte, em notas de rodapé, por exemplo, ou em uma breve formulação textual) assim que aparecerem pela primeira vez, notadamente se forem incomuns ou derem margem a diferentes acepções. 

3 - A coerência no uso da pessoa do discurso ao longo do texto evita a duplicidade de interpretação sobre a origem da ideia em pauta.

 

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