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Fiocruz entrega Centro Hospitalar em maio*


23/04/2020

Claudia Lima

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O Centro Hospitalar para a Pandemia de Covid-19 – Instituto Nacional de Infectologia começará a receber pacientes até 15 em maio. A unidade ocupará 9,8 mil metros quadrados da área do Campus Manguinhos e funcionará de forma totalmente autônoma. O cuidado com o isolamento é grande: todo o entorno do hospital será cercado para garantir que não haverá comunicação interna com nenhuma outra unidade ou área do campus. Também terá entrada exclusiva de acesso pela Avenida Brasil, próxima à Portaria de Cargas – dois acessos para pacientes e um para funcionários e colaboradores.

“A Fiocruz tem atuado firmemente em várias frentes no enfrentamento da pandemia da Covid-19: na produção e disseminação de conhecimento, na formação de quadros, em estudos clínicos, na produção de testes e na ampliação da capacidade de testagem de amostras. Enfim, nossa instituição está inteiramente voltada para essa grave crise sanitária”, afirmou o vice-presidente de Gestão e Desenvolvimento Institucional, Mario Moreira. “Destaco aqui a construção do Centro Hospitalar. Trata-se de grande desafio organizar uma estrutura dessa dimensão, com 200 leitos, em 40 dias “, disse.

O vice-presidente ressaltou que esse prazo inclui a elaboração do projeto, contratação e capacitação da força de trabalho, aquisição de equipamentos, implantação dos sistemas de gestão e a aquisição dos insumos, sobretudo de equipamentos e medicamentos necessários ao pleno funcionamento da unidade hospitalar. “Tudo sendo feito dentro no necessário senso de urgência e, ao mesmo tempo, com todas as precauções administrativas e com transparência das decisões”, explicou Mario Moreira.

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Sistema de regulação
Construído de modo emergencial para atender à necessidade de leitos exigida pela pandemia de Covid-19, o hospital permanecerá como parte da estrutura da Fundação, ligado ao Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI). Com o custo estimado de R$ 56,8 milhões, está sendo erguido na plataforma BIM – sigla em inglês para Modelagem de Informação da Construção. Esta escolha permitiu reduzir para até 60 dias o prazo das obras, que demandariam de 12 a 18 meses caso fossem utilizadas técnicas convencionais. 

Serão 120 leitos de terapia intensiva e outros  80 semi-intensivos para pacientes graves com Covid-19. A unidade começa a operar em 15 de maio e atingirá seu pleno funcionamento 30 dias após a inauguração. “Este centro vai integrar o sistema de regulação de leitos do Estado do Rio de Janeiro e irá preencher uma reconhecida lacuna de leitos dessa categoria no enfrentamento da pandemia. De fato, é um enorme desafio”, avalia o vice-presidente de Gestão. “Desafios fazem parte da nossa trajetória e tradição, e enfrenta-los é o que sociedade espera de nós”, acredita Mario Moreira.

Estrutura independente
A unidade é autossuficiente - tem fornecimento de energia, geradores e reservatórios de água e toda a infraestrutura exigida para um hospital desse porte independente das demais áreas da Fiocruz no campus. A central de tratamento de esgoto própria foi concebida para tratar resíduos com o novo coronavírus e garantir destino seguro do efluente gerado. As áreas de apoio, por onde profissionais vão acessar o hospital, têm locais específicos para troca de roupa e alimentação. O complexo também contará com entrada exclusiva para ambulâncias e heliponto. 

“Desde o início procuramos manter um caráter original do projeto e de antemão sabíamos que esta construção não seria desmontada como os hospitais de campanha que vem sendo construído pelo país”, afirma Ricardo Cansian, diretor da empresa responsável pelo projeto, RAC Engenharia, “Não é de nosso conhecimento outro projeto desta magnitude no Brasil sendo construído neste momento, nem temos notícia de um hospital desta complexidade executado em prazo tão exíguo”, disse. 

Ampliação de área
Para atender a demanda de vagas para veículos exigida para um hospital de 200 leitos, a área atual do Centro Hospitalar poderá ser ampliada. A Refinaria de Manguinhos ofereceu a cessão de parte de seu terreno, por tempo indeterminado, para a construção de um estacionamento com capacidade de 450 vagas.

O terreno fica localizado do lado oposto do Rio Faria-Timbó, na chamada orla. Se o planejamento for concretizado, será construída uma passagem interligando os dois terrenos. A passagem exclusiva permitirá que profissionais da unidade, acompanhantes e parentes façam o trajeto a pé ou em carrinhos elétricos. 

Processo acelerado
Esta semana, no auge de mobilização para concluir as obras, estão trabalhando ininterruptamente 350 profissionais contratados pela construtora. A empresa calcula que, do início ao fim, devem passar mais de 800 profissionais de diversas especialidades. Da Fiocruz, estão envolvidos diretamente cerca de 600 profissionais.

No quarto andar e no auditório térreo da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp) prossegue o processo seletivo dos cerca de mil profissionais que atuarão no hospital. Os resultados serão divulgados em 25/4. Em sequência, o espaço será usado para treinamento e capacitação das equipes. O processo de gestão será totalmente automatizado, com prontuários e receituários eletrônicos, sem utilização de papel.

* Esta matéria foi atualizada em 27/4

* Foto da primeira página: Leonardo Oliveira/Icict |

* Infográfico: designer Airton Santos/CCS; imagens cedidas pela RAC Engenharia; informações das assessorias de comunicaão da CCS e Cogic

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