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Bio-Manguinhos trabalha em novo projeto para diagnóstico molecular de doenças infecciosas

Cientista trabalhando em um laboratório

10/02/2020

Por: Rodrigo Pereira (Bio-Manguinhos/Fiocruz)

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Bio-Manguinhos vem trabalhando em um novo projeto para diagnóstico molecular de doenças infecciosas. Após o êxito do Kit NAT, o instituto busca equipar os laboratórios centrais de saúde pública e os de referência, ligados aos estados, com equipamentos capazes de fazer tal diagnostico, considerado mais preciso e específico.

O trabalho está sendo estruturado junto com a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS), que coordena a rede de laboratórios centrais do país, que soma cerca de 35 unidades. O objetivo é implantar nesta rede uma plataforma de equipamentos para processar diagnóstico molecular, capaz de detectar doenças emergentes e reemergentes, que estão em circulação.

Atualmente, Bio-Manguinhos já conta em seu portfólio com o kit molecular que detecta zika, dengue e chikungunya – o Kit ZDC. “O Ministério da Saúde considera muito importante fazer a vigilância epidemiológica de outras patologias também. Estamos trabalhando para oferecer outros kits, como o de febre amarela, vírus respiratórios, sarampo e rubéola, meningites bacterianas e gastroenterites bacterianas, por exemplo”, explica o diretor de Bio, Mauricio Zuma.

Bio-Manguinhos tem a seu favor a experiência bem-sucedida com o Kit molecular NAT usado para triagem de doadores de sangue. Os 14 centros da hemorrede brasileira contam com equipamentos e pessoal treinado e qualificado para garantir a segurança do sangue doado, evitando a contaminação das bolsas com os vírus da aids, hepatites B e C e da malária. “O histórico que temos com o Kit NAT comprova que podemos, no âmbito público, ter uma rede mais estruturada e capacitada. E esse projeto com a SVS/MS irá permitir uma ação mais estruturante para essa rede de laboratórios. É com essa motivação que estamos propondo um upgrade através da implantação de um conjunto de equipamentos que possa servir de base para processar vários insumos e kits de diagnóstico molecular”, afirma o gerente do Programa de Reativos para Diagnóstico do Instituto, Antonio Ferreira.

Como uma espécie de projeto piloto, quatro laboratórios já receberam os equipamentos, dois no estado do Rio, um em São Paulo e outro em Santa Catarina. A intenção é gradualmente ampliar este número. Paralelamente, o Instituto trabalha no desenvolvimento e registro de novos testes moleculares. Está previsto para este semestre os kits de diagnóstico moleculares para febre amarela e dengue tipagem, que identifica qual dos quatro tipos de vírus dengue está em circulação. Kits para Sarampo e rubéola e vírus respiratórios são os próximos alvos, ainda este ano. “Trata-se de um projeto estruturante, pois queremos oferecer uma base completa: instalações, equipamentos e treinamento para os profissionais dos laboratórios, para absorver os alvos que já temos e os que estamos desenvolvendo”, disse Antonio.

As vantagens dos testes moleculares é que são mais sensíveis e específicos, sendo utilizados para diagnóstico de infecções agudas e também como diagnóstico diferencial para doenças que possuem sinais e sintomas semelhantes, como por exemplo, zika, dengue e chikungunya; síndromes febris agudas (leptospirose, dengue e hepatite A, entre outros agravos) e outras. Segundo Antonio, os testes de diagnóstico molecular são complementares aos testes sorológicos, testes rápidos e laboratoriais, já amplamente utilizados na rede pública. “A tendência é ter cada vez mais testes rápidos usados na atenção primária de saúde, nos ambulatórios, e que os diagnósticos sorológicos convencionais e moleculares sejam para complementar os diagnósticos rápidos. Serão sempre complementares”, enfatiza.
 

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