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A cientista Maria Deane inaugura a série Perfis da Ciência


02/07/2020

Por: Simone Kabarite

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Para inaugurar a série Perfis da Ciência, que contará a história de grandes personalidades da área que dão nome a unidades da Fiocruz, a escolhida é a pioneira Maria Deane. Seu espírito investigativo e a sua dedicação à ciência foram determinantes para estudos e avanços importantes para a saúde pública.

Maria Deane começou sua carreira na Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará, na década de 30, onde conheceu seu companheiro de trabalho e de vida, Leônidas Deane. Na época, não era comum encontrar mulheres nos bancos das universidades, tampouco se aventurando em expedições pelo país. A cientista rompeu tabus. Maria conjugava grande conhecimento teórico e intenso trabalho de campo.

Sua trajetória é marcada por missões científicas ao interior do Norte e do Nordeste para investigar e combater a ocorrência de doenças como leishmaniose visceral, malária e doença de Chagas. Sobre essa, desenvolveu importantes pesquisas a respeito do Trypanosoma cruzi, agente da doença. Nessas regiões, também ministrava palestras e orientava a população sobre saneamento básico.

A cientista aprofundou seus estudos em cursos nas universidades de Johns Hopkins e de Michigan, nos Estados Unidos. Com título de mestre em Saúde Pública, voltou para a Amazônia, onde trabalhou no Serviço Especial da Saúde Pública e no Serviço de Malária do Nordeste. Não é à toa que a unidade Fiocruz Amazônia – Instituto Leônidas e Maria Deane – leva o seu nome e de seu companheiro.

Na década de 1980, a pesquisadora atuou como chefe do antigo Departamento de Protozoologia do Instituto Oswaldo Cruz – IOC, que a homenageou, em 2008, com a nomeação do Auditório Maria Deane. Em 1984, uma das mais importantes descobertas da pesquisadora foi registrada, quando esteve à frente do Departamento. Pela primeira vez, o estudo descreveu o duplo ciclo de multiplicação do agente etiológico da doença de Chagas, o Trypanosoma cruzi, no gambá, reservatório do parasito. Os resultados esclarecem a dinâmica de transmissão oral do parasito por este animal e representam contribuição fundamental para a compreensão da epidemiologia da doença em áreas livres de barbeiros domiciliados.

Maria Deane foi uma das mais destacadas protozoologistas brasileiras e publicou mais de 150 trabalhos em periódicos nacionais e estrangeiros. Foi responsável pela consolidação de unidades de ensino e pesquisa na área da protozoologia em diversas instituições, entre elas o Departamento de Zoologia da USP e o Departamento de Parasitologia da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Carabobo, na Venezuela A pesquisadora é uma referência na área e forte inspiração para jovens cientistas brasileiras. 

Fonte para dados da matéria: Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz e Fiocruz Amazônia.

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