25/02/2025
Uma pesquisa conduzida por João Henrique de Araujo Morais, doutorando da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) e orientando de Oswaldo Gonçalves Cruz, pesquisador do Programa de Computação Científica da Fiocruz (PROCC), vinculado à Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC), revela os impactos do calor extremo sobre a saúde da população do Rio de Janeiro.
O estudo, disponível em preprint e em fase de avaliação, aponta uma associação entre a exposição a temperaturas elevadas e o aumento da mortalidade por diversas causas, além de considerar o tempo de exposição ao calor como fator de risco. Idosos e pessoas com doenças preexistentes — como diabetes, hipertensão, Alzheimer, insuficiência renal e infecções do trato urinário — estão entre os grupos mais vulneráveis.
Foram analisados 466 mil registros de mortes naturais ocorridas entre 2012 e 2024, além de mais de 390 mil óbitos por 17 causas específicas. Destas, 12 apresentaram aumento expressivo da mortalidade entre idosos durante períodos de calor extremo. Os dados foram avaliados segundo os Níveis de Calor (NC) estabelecidos pelo Protocolo de Calor da Prefeitura do Rio, lançado em 2024. O protocolo classifica os riscos em uma escala de 1 a 5, indicando as ações preventivas para cada nível. O estudo destaca que, quando o Nível 5 é atingido por duas horas ou mais — com índice de calor igual ou superior a 44 °C — há um risco significativamente maior de mortalidade entre os idosos.
Além de evidenciar riscos, a pesquisa reforça a urgência de desenvolver planos de adaptação para cidades como o Rio de Janeiro, a fim de mitigar efeitos das mudanças climáticas sobre a saúde pública.
Leia a matéria original de Bárbara Souza publicada pelo Informe Ensp em 17/2/2025.