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09/10/2017

Filme ‘É Rio ou Valão’ será exibido em escolas e cineclubes comunitários do Rio de Janeiro

Mesa de abertura

Por: Luiza Gomes (Cooperação Social da Fiocruz)

Com roteiro construído coletivamente por alunos da rede pública do Rio de Janeiro, pesquisadores e ativistas ambientais, o documentário É Rio ou Valão? teve na tarde da última terça-feira (3/10) o seu lançamento oficial. Financiado com recursos do edital Capes-ANA, o produto audiovisual venceu o certame em 2015 com a proposta de ser uma ferramenta educacional para colégios do ensino médio do Estado do Rio. O filme passou por uma fase de testagem junto a instituições escolares previamente selecionadas, e teve sua versão final exibida no auditório do Museu da Vida, no campus Manguinhos da Fiocruz.

É Rio ou Valão? trata dos processos de degradação ambiental identificados na sub-bacia do canal do Cunha, uma das mais poluídas da Baía de Guanabara. Para falar sobre o assunto, o documentário investiga as dinâmicas e interações vivas estabelecidas entre população local, governança dos territórios, políticas públicas de saneamento (ou a ausência delas), passando pelo impacto provocado pela atividade de grandes indústrias, e pelos usos populares dos recursos hídricos nessas nas sub-bacias hidrográficas.

O filme é uma iniciativa do Observatório da Sub-Bacia Hidrográfica do Canal do Cunha, com apoio da Cooperação Social da Fiocruz, produzido pela VídeoSaúde Distribuidora da Fiocruz, e viabilizado por meio da parceria com a Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS), Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz), Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), ONG Verdejar Socioambiental, e apoio do Movimento Baía Viva.

Uma produção feita a muitas mãos

Forjado com a marca do intercâmbio entre os saberes da academia e da sociedade civil, o lançamento do documentário suscitou entre os representantes de unidades presentes um mesmo tom de fala: a valorização do processo horizontal que marcou todas as etapas de construção do filme.

Representando a Cooperação Social da Presidência da Fiocruz, Leonardo Bueno parabenizou o trabalho do Observatório e das organizações comunitárias envolvidas. “É preciso reforçar uma cultura que já existe na Fundação de abrir a casa para os movimentos populares. Ainda mais nesse momento político que é de muito retrocesso e numerosos ataques aos direitos”, defendeu.

Leonardo Bueno lembrou que a Prefeitura do Rio de Janeiro lançou seu Plano Estratégico há poucos meses e que, nele, o mérito da gestão ambiental participativa, “praticamente não apareceu”. “As bacias hidrográficas foram esquecidas no documento e essa demanda só vai aparecer com o conhecimento científico sendo usado para fazer valer os esperados processos de transformação”, alegou.  

Carlos Maurício Barreto, vice-diretor de Ensino e Informação da EPSJV/Fiocruz, revelou a satisfação de participar do projeto, que qualificou como “contracorrente de uma conjuntura social adversa” do ponto de vista dos interesses da classe trabalhadora e maioria da população brasileira.

Representando o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnologia em Saúde (Icict/Fiocruz), o diretor Rodrigo Murtinho frisou que o vídeo torna concreto um princípio da instituição de que a comunicação é direito humano e deve ser apropriada pelos mais diversos segmentos sociais.

José Paulo Vicente, assessor da VPAAPS à época da concepção do documentário, valorizou o fato de o argumento do documentário estar fundamentado na filosofia e prática da permacultura, da agricultura urbana, e da perspectiva de territórios sustentáveis e saudáveis. “Esse é um momento político em que todos precisamos buscar autonomia. Os recursos hídricos, naturais, o petróleo, tudo está sendo pilhado no país, e só com organização popular é possível fazer frente ao que vem ocorrendo”, enfatizou.

O diretor da Ensp/Fiocruz, Hermano Castro, saudou o trabalho da equipe. “A Ensp está sempre disponível e disposta a apoiar atividades como essa, que efetivamente tem por finalidade apontar caminhos para a saúde pública, as questões do saneamento, das violências nas comunidades, do meio ambiente e de tudo o que determina a saúde das populações”, disse.

Maria José Salles, pesquisadora da Escola que também participou do filme, destacou o potencial da linguagem audiovisual para abordar de forma complexa e clara as iniquidades presentes no saneamento básico.

Representando o Observatório da Sub Bacia Hidrográfica do Canal do Cunha, o geógrafo Ernesto Imbroisi explicou que o observatório existe há cerca de um ano e meio e teve na produção do documentário seu primeiro produto. “Temos o propósito de articular cooperativamente quem produz conhecimento técnico-científico com movimentos sociais, fazendo a concertação entre os atores desses dois campos”, descreveu.

Alguns integrantes do Observatório possuem assentos no Comitê de Bacia Hidrográfica da Baía de Guanabara, bem como no Subcomitê Trecho Oeste, onde está inscrita a sub-bacia do canal do Cunha.  Esses colegiados fazem parte da política nacional de recursos hídricos e integram o sistema de gerenciamento estadual, cabendo a eles decidir sobre esse recurso público de forma participativa e descentralizada.

Edson Gomes, um dos gestores da ONG Verdejar Socioambiental, considerou o filme um produto importante para preservação das bacias hidrográficas brasileiras. “É imprescindível que a gente consiga articular sociedade civil, escolas, organizações de base, e instituições como a Fiocruz, para trocar informações e, com isso, desenvolver um processo cada vez mais resiliente, mais forte e mais autônomo”.

Agora lançado oficialmente, o filme deverá ser exibido em outras escolas e cineclubes comunitários. Ao longo do dia, além da exibição, o público assistiu à peça Vamos Verdejar, apresentada pelo Ponto de Cultura Luiz Poeta Verdejar. Também houve debate com participação dos atores, dos responsáveis pela produção e concepção do documentário e o público presente. Ao término do evento, o bloco carnavalesco Bloco D’Água encerrou a solenidade com uma paródia da canção Nomes de Favelas, de Paulo César Pinheiro, com letra adaptada para a realidade de comunidades da sub-bacia hidrográfica do canal do Cunha.

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