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Fundação Oswaldo Cruz uma instituição a serviço da vida

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Debates e apresentação de novos diretores marcam os 117 anos da Fundação

Reunião do conselho deliberativo da Fiocruz

31/05/2017

Por: César Guerra Chevrand, Eduardo Muller, Erika Farias, Leonardo Azevedo e Renata Moehlecke (Agência Fiocruz de Notícias)

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Sob os aplausos de um auditório lotado, os novos diretores eleitos nas unidades da Fiocruz foram apresentados para a comunidade da Fundação, enquanto os antigos se despediram do cargo, em solenidade realizada na manhã desta segunda-feira (29/5), segundo dia de comemorações pelos 117 anos da Fundação Oswaldo Cruz. O evento fez parte das atividades do Conselho Deliberativo da Fiocruz, em edição especial para o aniversário da instituição.

“Qual é o nosso objetivo ao celebrar essa passagem? É fortalecer a Fiocruz como instituição estratégica de Estado e, ao mesmo tempo, fortalecer a gestão democrática”, afirmou a presidente da Fundação, Nísia Trindade. Em seu discurso, ela comentou o descrédito que a atividade política tem tido no país e reforçou o papel da Fundação em mudar este quadro. “Precisamos resgatar essa função política nos seus valores maiores, na defesa da democracia, dos direitos e da cidadania”, disse.

Representando os novos diretores, Valdiléa Veloso, eleita pelo Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), falou sobre o significado da cerimônia, que empossou gestores eleitos democraticamente na Fundação, em um momento tão delicado para o país. “Nossa democracia precisa ser exercida no dia a dia do trabalho da gestão nas unidades, nas relações de trabalho. As pessoas precisam ser ouvidas”, afirmou.

Valdiléa Veloso ressaltou a importância do exercício diário da democracia (Foto: Peter Iliciev)

O diretor do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), Umberto Trigueiros, representou os diretores que encerraram o seu mandato. Diretor do Icict por dois mandatos, Umberto enfatizou a dedicação e o compromisso desempenhado pelos ex-diretores, em um momento importante da instituição, com o crescimento das redes de pesquisa, da oferta no campo da educação e de outros produtos produzidos pelas unidades da Fiocruz, com respostas efetivas às demandas do Ministério da Saúde. “Estamos vivendo uma semana de festa, em que comemoramos os 117 anos da Fundação. Hoje renovamos aqui a história, oferecendo à comunidade Fiocruz esse belo presente que é a nossa democracia interna e a nossa gestão participativa”, afirmou.

Também participaram da mesa o chefe de Gabinete, Valcler Rangel; a presidente da Asfoc - Sindicato Nacional, Justa Helena; e a representante da Associação de Pós-Graduandos da Fiocruz, Ana Clara Newlands. Confira a relação dos diretores eleitos e um breve currículo de cada um.

O Conselho Deliberativo da Fiocruz – formado nesta edição festiva, excepcionalmente, por antigos e novos diretores eleitos das unidades –, recebeu, ainda nesta segunda, representantes do Poder Legislativo para um café da manhã, na histórica Casa de Chá da Fiocruz. A presidente da Fundação, Nísia Trindade Lima, deu as boas-vindas aos parlamentares e destacou o amadurecimento democrático da Fundação, com a preservação dos mandatos de seus dirigentes, respaldados com o voto dos servidores da instituição, e a atuação internacional da Fiocruz, com parcerias em diversas frentes.

A presidente também compartilhou com os parlamentares presentes a preocupação com o crescimento da violência urbana, não apenas no entorno do maior campus da Fundação, em Manguinhos, no Rio de Janeiro, mas também nos arredores das unidades regionais. “No contexto que estamos vivendo do descrédito das instituições, da falta de uma política de segurança com, de fato, um viés de cidadania e não de repressão, isso demanda da Fiocruz uma atuação forte, levando em consideração que este um problema de saúde pública da maior gravidade”, afirmou Nísia.

Nísia Trindade também compartilhou com os parlamentares presentes a preocupação com o crescimento da violência urbana (Foto: Peter Iliciev)

Na reunião, a presidente mencionou a importância da celebração do Ano Oswaldo Cruz, reforçando seu legado e o papel da ciência no processo de desenvolvimento do país, no ano em que se completam 100 anos do falecimento do cientista. “Oswaldo Cruz não foi o pioneiro da ciência no Brasil, mas foi o pioneiro na construção dessa instituição centenária, reconhecida pela sociedade pelo seu importante papel no campo da ciência, tecnologia e inovação, assim como nos processos de desenvolvimento e de inclusão no território nacional”, disse.

Nísia, que acaba de participar da Assembleia Mundial de Saúde, em Genebra, comentou o papel preponderante da Fiocruz frente a surtos e desafios de saúde que surgiram nos últimos anos. “Isso foi muito reforçado, não apenas na fala da Carissa Etienne, diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), mas também na relação com a delegação norte-americana, que tinha a Fiocruz como grande referência de cooperação com o Brasil”, contou. A pedido da presidente, a diretora da Opas gravou um vídeo parabenizando a Fiocruz por seu aniversário.

Acessibilidade e inclusão

O Comitê Fiocruz para Acessibilidade e Inclusão das Pessoas com Deficiência foi lançado oficialmente nesta segunda-feira (29/5), em evento na programação do aniversário da Fundação. A iniciativa tem como objetivos construir uma Política de Acessibilidade e Inclusão, que garanta a sustentabilidade de ações voltadas para a efetivação de uma Fiocruz acessível e inclusiva. Uma das propostas do Comitê é a elaboração de um plano de ação para mapear demandas e pautas junto às unidades com vias a formação de uma rede de atuação. O grupo pretende também mapear e sistematizar conhecimentos e atividades sobre o tema e dar subsídios à definição de posicionamentos institucionais no campo da deficiência, inclusão e acessibilidade.

O chefe de Gabinete da Fiocruz, Valcler Rangel, representou a Presidência no evento de lançamento. Para Valcler, com o lançamento do Comitê, a Fundação passa a ter uma nova postura e faz uma inflexão na cultura institucional sobre a abordagem das pessoas com deficiência. “Nós estamos cumprindo aqui, em primeiro lugar, uma obrigação que é a de dar resposta às questões que estão colocadas pela comunidade Fiocruz, no sentido dos desejos e necessidades que apresentam, e, fundamentalmente, no sentido da luta que vocês representam”. Valcler destacou também a necessidade de realizar ações que tenham concretude, trabalhando a subjetividade e a linguagem. “Esses princípios não estão dados, é um aprendizado de como lidar com as diferenças. As pessoas com deficiência têm diferenças e precisamos aprender a lidar com elas. Isso significa uma nova postura, uma nova cultura e ações concretas”.

Integrantes do GT que originou o Comitê Fiocruz para Acessibilidade e Inclusão das Pessoas com Deficiência (Foto: Raquel Portugal)

Debates

O racismo e o feminismo no Brasil foram temas de debate no auditório do Museu da Vida, na segunda-feira (29/5). O evento Museus e Cidadania: direito de todos reuniu bolsistas da Fiocruz e alunos da rede pública de ensino com o objetivo de promover reflexões sobre o impacto do racismo e a força emergente do feminismo nas escolas e universidades brasileiras.

Na mesa-redonda promovida pelo Museu da Vida, a professora e pesquisadora do Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (Iserj) e coordenadora pedagógica do Grupo de Estudos e Pesquisas Intelectuais Negras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Janete Ribeiro, destacou a necessidade de se enfrentar o racismo estrutural no país e de se recuperar a história dos afro-brasileiros. “Os privilégios aqui têm cor. Os intelectuais negros não querem mais o lugar de excepcionalidade”. 

O ativismo das feministas negras também foi ressaltado pela professora adjunta do Departamento de Ciências Sociais e Educação da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Sônia Beatriz dos Santos. Ao falar sobre o feminismo negro e a luta das mulheres por seus direitos, Sônia lembrou o protagonismo das mulheres afrodescendentes nos movimentos sociais da América Latina e do Caribe e discutiu as questões da identidade e da invisibilidade negra no país. “A produção de conhecimento das mulheres negras é silenciada. Há o tempo todo uma necessidade de afirmação”, disse.

Na manhã desta terça, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), com apoio da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) e o Museu do Índio, organizou o #DemarcaçãoJá – Debate sobre os Retrocessos nos Direitos Indígenas no Brasil. A atividade consistiu em um debate, com a participação de Sandra Benites, liderança indígena do povo kuikuro e estudante do Museu Nacional (MN/UFRJ); Edinilsa Ramos de Souza, do Centro Latino-Americano de Estudos da Violência e Saúde Jorge Carelli (Claves/Fiocruz); e Carlos Coimbra, pesquisador da Ensp/Fiocruz. Também foi exibido o documentário Martírio, que remonta as origens do povo Guarani Kaiowá e denuncia o genocídio por eles sofrido frente ao aparato do agronegócio. Confira a transmissão completa do evento feita no Facebook da Fiocruz:

Lançamentos editoriais

O aniversário da Fundação também foi palco para o lançamento de três livros. Da Editora Fiocruz, a obra Brasil Saúde Amanhã: complexo econômico-industrial traz uma análise de 14 pesquisadores de diferentes especialidades sobre as tendências futuras para o país e o sistema de saúde. O livro foi organizado por Paulo Gadelha, Carlos Augusto Grabois Gadelha, José Carvalho de Noronha e Telma Ruth Pereira. Confira resenha sobre o livro. O livro Museu da Vida: ciência e arte em Manguinhos foi o lançamento da COC/Fiocruz. Na obra, os organizadores Diego Vaz Bevilaqua, Marina Ramalho, Rita Alcântara e Tereza Costa contam a trajetória dos 18 anos do Museu da Vida. 

A Abrasco Livros lançou Malária no Amazonas: registros e memórias, organizado por Maria Auxiliadora Bessa Barroso e Raul Diniz Souza Amorim. O livro trata de um resgate da história do controle da malária no Estado do Amazonas, iniciando com uma contextualização da origem da malária no mundo. Inédita, a publicação é rica em informações estatísticas e epidemiológicas, ilustrada com tabelas e mapas, extraídas da literatura disponível, além de fontes primárias, tais como relatórios, diários de campo e boletins da época.

Outro lançamento na festa de aniversário foi a 37ª edição da Revista de Manguinhos, que lembra os 100 anos sem Oswaldo Cruz, patrono da Fundação. O volume recorda a trajetória, as conquistas e o legado do grande médico e cientista. Além da homenagem e da reflexão sobre o legado de Oswaldo, a nova edição relata ainda outras duas significantes notícias: uma diz respeito a um estudo pioneiro desenvolvido na Fiocruz Paraná que poderá abrir novos caminhos para a pesquisa sobre a doença de Chagas – enfermidade que registra cerca de 150 mil novos casos por ano no Brasil. A outra mostra que uma pesquisa da Fiocruz Minas, em parceria com duas instituições, aponta que uma bactéria pode auxiliar na transformação da glicose em energia para o corpo, diminuindo a concentração de açúcar no sangue. Confira a edição

Museu da Vida

Nesta terça, também ocorreu a abertura da exposição Manguinhos Revelado, na Cavalariça da Fiocruz, no campus Manguinhos. Construída em quatro módulos, a mostra reúne fotografias, filmes e objetos museológicos. Os registros fotográficos são assinados por J. Pinto (contratado pelo próprio Oswaldo Cruz) e pertencem ao conjunto de negativos de vidro – composto por cerca de 8 mil itens digitalizados – do Arquivo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), reconhecido pelo Programa Memória do Mundo da Unesco como Patrimônio Documental da Humanidade desde 2012. A proposta da exposição é traçar um perfil do Rio antigo e mostrar um pouco do desenvolvimento da Saúde Pública nas primeiras décadas do século 20.

Outro destaque da programação de aniversário foram as apresentações da peça teatral A vida de Galileu, de Bertolt Brecht. O espetáculo conta um pouco da história do matemático, astrônomo e físico italiano nascido em 1564, que dá nome a peça. Decidido a explorar aspectos desconhecidos do Universo, Galileu construiu um telescópio em 1609 com mais capacidade do que os que existiam à época. Manchas solares e os satélites de Júpiter são algumas de suas descobertas. O cientista defendeu a teoria heliocêntrica de Copérnico, segundo a qual o Sol é o centro do Universo e não a Terra, o que o fez ser perseguido pela Igreja Católica. Para fugir da fogueira, teve que negar aquilo em que acreditava. A peça ainda está em cartaz. Confira a programação

A vida de Galileu, de Bertolt Brecht, conta um pouco da história do matemático, astrônomo e físico italiano que dá nome a peça (Foto: Renato Mangolin)

Música na Fiocruz
Os participantes da festa contaram, na manhã de segunda, com a apresentação da Orquestra Popular Tuhu. A Orquestra é uma das atividades do Projeto Villa-Lobos e as crianças, ação de profissionalização em música que há nove anos beneficia jovens de comunidades de baixa renda da cidade. A regência, os arranjos e as adaptações são de Maria Clara Barbosa. Saiba mais

O Coral Flor do Mangue foi uma das apresentações musicais nas comemorações do aniversário da Fiocruz (foto: Peter Ilicciev)

Além da Orquestra Popular Tuhu, também se apresentaram durante o segundo e terceiro dia de comemorações o Coral Flor do Mangue (formado por um coletivo de mulheres do território de Manguinhos, que sofrem de síndrome do pânico e outras dores), o Projeto Música na Calçada e o Grupo Casa, Chorinho & Samba.

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