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17/11/2017

8ª ConfOA: Portugal otimiza pesquisa e repositórios institucionais crescem na web

Mesa com os pesquisadores Ana Carvalho, Ivanilma Gama, António Lopes

Por Renata Augusta / Portal Fiocruz

O papel dos repositórios institucionais para a comunicação científica; um programa para facilitar a gestão, produção e acesso à informação; e a ampliação das co-autorias e de redes sociais de compartilhamento de informações se destacaram entre os temas da 8ª Conferência Luso-Brasileira de Acesso Aberto (ConFOA), realizada na Fiocruz de 4 a 6 de outubro.

No campo da gestão do acesso aberto, o destaque foi o programa de desenvolvedores de Portugal que reduziu em 275 horas o trabalho de 120 pesquisadores para sincronizar 5.500 publicações no sistema Orcid (Open Researcher and Contributor ID), em setembro de 2017. A economia estimada é de 4.125 euros. O pesquisador líder do projeto, António Luís Lopes, ressalta que “como cada artigo costuma ter mais autores essa economia pode aumentar exponencialmente”.  

O programa, realizado com entidades internacionais, visa evitar o desperdício de tempo dos pesquisadores com a inserção de dados em múltiplos sistemas de informação.  Seu lema é “introduza uma vez, reutilize múltiplas”, informa Lopes, que coordena o Gabinete de Desenvolvimento de Sistemas de Informação do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). 

O projeto para o desenvolvimento do programa integra vários institutos lusitanos e é capitaneado pela Fundação para Ciência e Tecnologia (FCT) de Portugal, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Portugal. Segundo o pesquisador, outras entidades podem integrar-se à experiência feita em código aberto. 

Lopes destaca a relevância do acesso aberto: "É muito bom poder gerar conhecimento em ciência e inovação, mas se isso não for partilhado com os pesquisadores e com o público, não estaremos fazendo o nosso trabalho. Não serve de nada termos ciência e conhecimento guardados numa gaveta".

Repositórios alavancam sistema de comunicação científica

Os repositórios institucionais (RI) de acesso aberto são elementos essenciais no sistema de comunicação científica e, nos últimos 15 anos, tiveram aumento de sua utilização, bem como do volume de publicações que oferecem e da diversidade dessas publicações. Com isso, os repositórios promovem maior impacto da produção dos pesquisadores e das instituições públicas de ensino superior, o que lhes confere um papel político na garantia do amplo acesso à informação científica, conforme ressalta a pesquisadora Ana Maria Ferreira de Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGCI/UFRJ). 

O artigo de periódico revisado por pares figura entre os principais documentos depositados nesse tipo de  base de dados, segundo Ana Carvalho, autora do trabalho Repositórios Institucionais de Acesso Aberto: adequação às novas métricas da web nas instituições públicas de ensino superior brasileiras, elaborado com o pesquisador Fábio Castro Gouveia, do Museu da Vida/Fiocruz. O estudo ressalta o impacto que a produção, armazenamento e acesso à informação científica em ambiente web exerce na estrutura da comunicação, além do potencial dos RI como fonte para a geração de indicadores em Ciência e Tecnologia. "Os indicadores são elementos importantes para a elaboração de políticas públicas", destaca Ana Carvalho.

A pesquisa demonstra que os estudos métricos da informação são fundamentais para avaliar como as institutições públicas de ensino superior brasileiras disponibilizam dados de seus objetos digitais. Entre os 30 RI pesquisados, 80% divulgam estatísticas sobre acesso, download e origem, propiciando estudos sobre temas de maior interesse, por exemplo; 93% utilizam sistema persistente de identificação de objeto, que busca preservar acesso ao item, independentemente da localização; e 30% divulgam dados sobre a presença de indicadores de redes sociais. 

Coautorias, citações e centralidade na web

O compartilhamento de informações tem sido um fator de desenvolvimento na ciência, ampliando o número de publicações em autoria múltipla no Brasil, inclusive, com um incremento de parcerias internacionais. Estreitam-se as relações entre instituições e indivíduos, que constituem redes de coautoria configuradas como um tipo de rede social. Esses pontos ancoram o estudo Tendências e perspectivas de pesquisa sobre repositórios no Brasil: uma Análise de Redes Sociais (ARS), realizado por Ivanilma Gama em conjunto com Lidiane Carvalho, no Mestrado Profissional em Biblioteconomia, na UniRio. 

A abrangência na área de ciência levou à utilização da base de dados Web of Science, na qual três mil documentos foram obtidos a partir do termo 'repositório'. "O objetivo principal foi identificar a rede social criada por meio das publicações acerca dessa temática. Para atingi-lo, traçamos metas específicas: identificar fluxo de informação, atores sociais centrais e sua influência na rede a partir dos artigos científicos encontrados", diz Ivanilda Gama. 

No processo da pesquisa, foram delimitados dados com material datado de 1945 a 2016 e dentro da categoria Library Information Science. Nesse universo, foram assinalados 13 autores com maiores índices de centralidade (os mais citados). Paralelamente, foi analisado o nível de atuação dos autores em redes sociais. Um dos resultados observados é que nem sempre os mais citados são também os de maior impacto nas redes sociais.    

A relação entre centralidade e impacto nas redes sociais revela o capital científico do autor. Ivanilda explica: "O capital científico puro seria o número de citações reunidas (expresso pelo índice 'h'); e o capital social, a energia mobilizada pelo autor para a rede de coautoria". Segundo a pesquisadora, há vezes em que um autor publica muito em coautoria, mas não é citado, o que faz com que ele se torne um agente mobilizador, com aumento de seu capital social, mas que não resulta em mais citações.  
 
O resultado, portanto, aponta um aspecto peculiar: nem todos os que apresentam altos índices de citação se sobressaem nas relações sociais e vice-versa. "O capital social emitido nas relações sociais tange as relações comunicacionais estabelecidas. Destacamos que o processo de comunicação é primordial na construção de capital social e volume de capital dos atores", conclui Ivanilda Gama. 

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