Início do conteúdo

16/02/2017

Pesquisadora recebe prêmio por trabalho sobre esquizofrenia e utilização de redes de apoio


Fonte: Ensp / Fiocruz

Foto de Vera FrossardViver com esquizofrenia: estudo de caso em uma comunidade virtual. Este foi o título da tese de doutorado da aluna do Programa de Pós-Graduação em Bioética, Ética Aplicada e Saúde Coletiva (PPGBIOS) e pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), Vera Frossard, que recebeu menção honrosa no Prêmio de Incentivo em Ciência e Tecnologia para o SUS – 2016. O trabalho de Vera foi um dos seis finalistas entre 89 inscritos na categoria doutorado. Ele teve como objetivo analisar grupos de ajuda mútua que se formam na internet, que, segundo ela, são um novo fenômeno em saúde. 

"Nestes espaços de interação, o conhecimento adquirido pela experiência com a doença é valorizado entre os pares, pois leva em conta vários aspectos da vida com esta condição, sem excluir impactos emocionais, muitas vezes ausentes dos consultórios”, explicou Vera, dizendo ainda que a internet facilitou o acesso à informação biomédica. "Estes dois saberes associados, conhecimento da experiência e credenciado, caracterizam os grupos virtuais como potentes espaços de apoio e oferecimento de informação com impactos no autocuidado e empoderamento da pessoa”. 

O prêmio é uma iniciativa do Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde (Decit/SCTIE/MS) e visa incentivar a produção de trabalhos técnico científicos na área de ciência e tecnologia de interesse do SUS. A premiação aconteceu em 13 de dezembro de 2016, em Brasília, no âmbito do 1º Encontro Nacional da Rede para Políticas Informadas por Evidências (EvipNet Brasil)

O trabalho apresentou uma abordagem sobre moral voltada à realização dos funcionamentos básicos para o respeito e florescimento das diversas formas de vida. Segundo Vera, funcionamentos básicos, nesta abordagem, são estados e ações que conformam a identidade de cada ser, analisados a partir de investigações empíricas para cada caso concreto, como a realizada na tese. A teoria utilizada foi desenvolvida pela orientadora da tese, Maria Clara Marques Dias, que é docente do PPGBIOS. 

Para Vera, o principal funcionamento realizado pelo grupo virtual para quem tem sofrimento psíquico “é o reconhecimento de si no outro. O que produz alivio, pois as pessoas percebem que não são as únicas em relação à experiência do sofrimento psíquico, o qual deixa de ser estranho e ameaçador. Assim, detalhou Vera, “delineia-se uma nova identidade forjada a partir da condição crônica: uma bioidentidade. O anonimato é confortável para as narrativas da vida com esta condição. O ‘estranho íntimo’ - vínculo possível de ser estabelecido na internet - é a base da intimidade entre os membros do grupo”, explicou. 

A pesquisadora, que é psicóloga e atua no Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria da Ensp, apontou que o grupo virtual indica “ser uma alternativa de socialização para alguns membros que sentem desconforto em frequentar o espaço público, identificada como retraimento positivo (positive whitdraw)”. E argumentou que “a comunidade virtual auxilia na redução do sentimento de solidão e, aliado ao compartilhamento de experiências, promove maior controle e domínio sobre a vida de quem convive com a esquizofrenia”.

A pesquisadora defendeu ainda que grupos de apoio devem ser analisados para seu aproveitamento pelo SUS, pois em algumas situações e formatos a comunicação digital pode resultar em promoção à saúde e cuidado integral. “Os participantes de grupos virtuais têm grande demanda por informação sobre direitos, serviços, medicação e novos tratamentos. Portanto, Vera aponta que profissionais de saúde têm relevante papel a desempenhar na orientação de tais solicitações. Ela finalizou analisando que as perspectivas futuras de evolução deste trabalho indicam a capacitação de profissionais do SUS para facilitação das conversações dialógicas de modo a garantir o acolhimento a todos bem como a ideia de expansão dos grupos de ajuda mútua para compor ampla rede integrada de apoio, a exemplo de iniciativas internacionais. 

Voltar ao topoVoltar