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20/04/2017

Conferência nacional debate Comunicação e Saúde em Brasília


Por: André Bezerra (Icict/Fiocruz)

Pela primeira vez, a comunicação é discutida em uma conferência específica do controle social da saúde no Brasil. A 1ª Conferência Nacional Livre de Comunicação em Saúde foi iniciada na última terça-feira (18/4), em Brasília, e reuniu conselheiros de diferentes instâncias estaduais, municipais e nacionais, além de comunicadores de dentro e fora do Sistema Único de Saúde (SUS), mas, que, em comum, o defendem como um fundamental direito conquistado pelo povo brasileiro.

No primeiro dia de mesas de debate, abertas na quarta-feira (19/4), diferentes abordagens de comunicação foram discutidas. Do ponto de vista do acesso e da oferta, a mesa Desafios da Comunicação em Saúde reuniu, entre outros debatedores, Márcia Correa e Castro, do Canal Saúde.

A segunda mesa, que ocorreu em paralelo, debateu a atuação direta dos profissionais de comunicação em diversas frentes, desde a assessoria de comunicação e a comunicação pública, na sessão intitulada O papel da comunicação na defesa da informação em saúde. Rogério Lannes, coordenador da revista Radis Comunicação e Saúde, destacou o direito à comunicação. “O acesso à informação apenas não garante o direito à saúde”, ressaltou.

Na mesma sessão, a jornalista e blogueira Cynara Menezes, do site Socialista Morena, abordou a emergência dos meios de comunicação alternativos como contraponto às narrativas hegemônicas no campo político. “Neste momento, há um interesse em enfraquecer a comunicação alternativa, mas ela está conquistando cada vez mais espaço”, ponderou.

Para ela, o estabelecimento de redes com interesses em comum terá papel fundamental para o fortalecimento de outros pontos de vista. “Não precisamos ter medo das bolhas, e sim utilizá-las em sua capacidade de aproximação, construir redes de contatos entre diferentes perfis de comunicadores e profissionais”, detalhou a jornalista.

À tarde, uma das mesas enfocou as novas mídias, com a presença do ator Gabriel Estrela, que arregimenta muitos seguidores em seu canal Projeto Boa Sorte, onde, com a hashtag #EuFaloSobre, são abordados temas relativos a viver com HIV e aids. “O grande diferencial do Youtube é a questão do engajamento”, destacou o comunicador, que realiza entrevistas com pessoas de diferentes contextos, desde drag queens a profissionais de saúde.

Assim como Cynara Meneses, ele defendeu a importância de as novas mídias e redes sociais possibilitarem novas narrativas, por meio de redes e diálogos. “A gente vive num momento de entrelaçamento de narrativas”, afirmou, destacando a troca de experiências de seu canal com outros comunicadores e influenciadores digitais que se destacam na maior rede mundial de vídeos da internet.

Direitos dos usuários do SUS

Durante a mesa de abertura da conferência, o Conselho Nacional de Saúde realizou o lançamento da consulta pública da nova Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde, um instrumento pelo qual o controle social objetiva promover a cidadania entre a população. O ex-ministro da Saúde Arthur Chioro apresentou os seis princípios da carta original e defendeu sua relevância diante da conjuntura atual. “Não lutamos pelo SUS para que ele se resumisse a planos de saúde”, declarou.

A Conferência Nacional Livre de Comunicação e Saúde se encerra nesta quinta-feira (20/4), após mais uma rodada de debates e uma plenária final entre conselheiros, gestores e comunicadores. O vice-diretor do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) Rodrigo Murtinho será um dos debatedores da mesa Informação em saúde como direito.

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