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24/11/2016

Atividades destacam importância da Fiocruz para Agenda 2030

Seminário discute Agenda 2030 na Fiocruz

André Costa (CCS). Fotos: Virginia Damas

A sustentabilidade é um compromisso histórico da Fiocruz. De sua participação na Eco-92 a iniciativas para a promoção do desenvolvimento sustentável em comunidades tradicionais, passando por acordos de cooperação estruturante, a história da instituição está repleta de ações para o avanço da saúde de modo inclusivo, democrático e harmônico com o meio-ambiente.

Um novo capítulo desta história está sendo escrito com o envolvimento da Fundação para a implementação da Agenda 2030 em âmbito nacional e internacional. Em junho, uma portaria instituiu que um grupo de trabalho fosse criado para fornecer “subsídios para que a Fiocruz seja instituição estratégica de Estado em saúde na plena implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”. E, desde então, seminários, reuniões e ações territorializadas têm acontecido, de modo a garantir e ampliar as contribuições da Fiocruz nos campos da saúde, da ciência, da tecnologia e da inovação.

O grupo de trabalho é composto pelo diretor do Centro da Relações Internacionais em Saúde (Cris/Fiocruz), Paulo Buss, pelo assessor da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção em Saúde (VPAAPS), Guilherme Franco Netto, pelo coordenador do Observatório dos Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina, Edmundo Gallo, pela coordenadora do Centro de Estudos Políticas e Informação sobre Determinantes Sociais da Saúde da Escola Nacional de Saúde Pública (CEPI/DDS), Patrícia Ribeiro, pela coordenadora do Programa Institucional Biodiversidade & Saúde (PIBS), Marcia Chame, e pelo gerente da Área de Desenvolvimento Sustentável e Saúde Ambiental da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Luiz Augusto Galvão.

“Fiocruz tem condições de ser instituição chave para Agenda 2030”, diz Buss

Em setembro, foi realizado o primeiro seminário sobre o tema, reunindo membros de organizações internacionais, representantes do poder público, acadêmicos e pesquisadores e dirigentes da Fundação.

No evento, o coordenador do Centro de Relações Internacionais em Saúde da Fiocruz (Cris/Fiocruz), Paulo Buss, lembrou da relação histórica entre a Fiocruz e as Nações Unidas. Buss recordou que a noção de que a saúde é, ao mesmo tempo, um resultado, um input e um medidor do desenvolvimento, presente no documento da ONU, saiu da Fiocruz, a partir da Eco-92. O coordenador do Cris disse ainda que a Fiocruz tem “todas as condições de ser uma instituição chave, crítica, para a implantação da Agenda 2030. Com os Objetivos do Milênio (ODMs) foi assim. Tivemos uma abordagem sistêmica extremamente positiva para construção da agenda a nível nacional”.

O assessor da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde, Guilherme Franco Netto, por sua vez, destacou que a variedade e a amplitude dos campos com os quais a Fiocruz trabalha permitem que a instituição traga aportes em áreas que vão além do único ODS que fala diretamente sobre saúde (o terceiro). “A Fundação possui um espectro amplíssimo de atuação, incluindo saneamento, biodiversidade, direitos humanos, compromissos com comunidades tradicionais, atividades contra agrotóxicos (poluição química), políticas voltadas para populações do campo, floresta e águas. Tudo isso opera na Fiocruz por meio de dispositivos variados, laboratórios, centros de estudo, departamentos, observatórios, e se relaciona diretamente à Agenda 2030”, afirmou.

ODSs são “direito social e individual”

Outro seminário sobre o tema aconteceu em outubro, organizado em parceria por três redes: a Rede Internacional de Educação de Técnicos em Saúde (RETS), a Rede de Escolas de Saúde Pública (RESP) e a Rede de Institutos Nacionais de Saúde (RINS).

O seminário teve como um dos destaques a exposição de Felix Rosenberg, secretário executivo da RINS e integrante do Cris, que discorreu sobre a complexidade de fatores que atuam sobre a saúde, incluindo aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais, entre outros. “Consideramos a construção dos ODSs como um direito social e individual, que deve ser usufruído por todas as pessoas do mundo”, afirmou Rosenberg.  “Atingir as metas de saúde sem compreender e agir sobre os outros ODSs e sem considerar o seu contexto é impossível, e este é o maior desafio das Redes de Saúde Pública”, acrescentou.

Já Paulo Buss fez uma palestra sobre como as crises sistêmicas do capitalismo ao mesmo tempo agravam a pobreza, a desigualdade e a destruição ambiental, exigindo respostas da comunidade internacional. Uma destas respostas, disse Buss, são os ODSs, que ultrapassam o âmbito das relações externas e influenciam também políticas nacionais. “Obviamente, as consequências dessas crises são de sistemas de saúde que precisam de cooperação internacional. E uma das expressões deste modelo seria a Agenda do Desenvolvimento, como resposta da ONU e de seus estados-membros a esta situação. Este documento transcende o interesse exclusivamente global, porque esses acordos internacionais vão influenciar políticas nacionais de desenvolvimento”, afirmou Buss.

 Além dos dois seminários, uma ação em um território com comunidades tradicionais marcou os primeiros meses da implementação da Agenda 2030 na Fiocruz: uma oficina organizada pelo Observatório dos Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS/Fiocruz) teve como objetivo internalizar a Agenda 2030 no contexto da atuação do Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT), de modo a incorporá-la ao planejamento estratégico local. Segundo o coordenador do Observatório, Edmundo Gallo, a oficina foi um momento importante, por oferecer à Fiocruz uma experiência baseada em demandas específicas de um território, trabalhando ao mesmo tempo com desenvolvimento sustentável e promoção da saúde. “É um projeto extremamente complexo, que trabalha com turismo de base comunitária, educação diferenciada, saneamento ecológico, agroecológico, entre muitos outros objetivos”, disse

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